Uvas protegidas: vinhos com mais qualidade
11/05/2018

O Vale do Peixe é uma das principais áreas produtoras de uva de Santa Catarina, com mais de 2 mil hectares. Os frutos dos vinhedos, espalhados pelos 21 municípios da região, são, em grande parte, destinados para elaboração de vinhos comuns.

Mas isto está mudando: os viticultores estão implantando inovações para produzir uvas especiais com qualidade elevada e atender a um mercado cada vez mais exigente. Neste processo, a plasticultura é uma grande aliada, criando um ambiente ideal para a produção de frutos de alta qualidade. A pesquisadora Cristiane de Lima Wesp, da Estação Experimental da Epagri, em Videira, SC, explica que a demanda por vinhos comuns está diminuindo.

Em contrapartida, os consumidores buscam vinhos diferenciados – importados ou nacionais com indicações geográficas. “A utilização da cobertura plástica em vinhedos surge como alternativa econômica rentável e promissora, possibilitando uvas de melhor qualidade, com menos agroquímicos, com possibilidade de escalonamento da produção e ainda diversificação da produção com o cultivo de uvas finas para consumo in natura”, afirma.

Com valor agregado, existe uma maximização de renda ao pequeno produtor, que chega a receber em média cerca de R$ 4,00 pelo quilo da uva produzida neste sistema. A prática no campo O viticultor, Renato Parizotto, de Caçador (SC), segue para a segunda safra cultivada em sistema protegido - a primeira foi em 2016.

Debaixo da cobertura, ele planta Niagara Branca e Niagara Rosada. Seus vinhedos são cobertos por lona ráfia translúcida, material que protege contra chuvas e granizo, diminui a radiação solar em cerca de 30% e a velocidade do vento em mais de 70%. A pesquisadora Cristiane orienta também o uso de proteções laterais, com telas anti-granizo. Estas telas nas laterais, “possibilitam uma barreira física contra o ataque de pássaros, vespas e abelhas durante a fase de maturação das uvas”, diz.

A redução de problemas fitossanitários também é uma vantagem das coberturas plásticas. Parizotto afirma que alguns problemas, como debulha das uvas, não são mais realidade nos vinhedos protegidos. “A redução do molhamento foliar, da incidência de doenças e, consequentemente, de tratamentos fitossanitários, possibilitam a obtenção de uvas de melhores qualidade e aparência, e produções com menores custos durante a safra. Estes são pontos positivos da plasticultura”, salienta Cristiane.

Outro fator a ser considerado diz respeito à possibilidade de realizar a colheita durante a fase correta de maturação fisiológica da uva, quando os índices de açúcares são superiores. Segundo Cristiane, da Epagri, “este fato muitas vezes é impossibilitado em condições à céu aberto em decorrência das chuvas excessivas no período de maturação da uva nas regiões do Sul do Brasil”.

Reportagem publicada na edição 14 da Revista da Fruta. Para ler mais, acesse o site. 

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