Sistema da Epagri vira modelo de agricultura sustentável em plataforma da FAO/ONU
12/07/2017

O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), desenvolvido e difundido pela Epagri para promover uma agricultura mais limpa e sustentável, já pode ser reproduzido com facilidade no Brasil e no mundo. Isso porque a experiência passou a integrar a Plataforma de Boas Práticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), um espaço de disseminação e compartilhamento de boas iniciativas replicáveis desenvolvidas na Região Sul do Brasil. 

 

O SPDH é a oitava tecnologia da Epagri incluída na plataforma da FAO/ONU. O sistema se baseia na redução nos custos sociais, econômicos e ambientais das lavouras e no estímulo ao protagonismo dos agricultores. Tem como objetivo central a transição da agricultura convencional para a agricultura agroecológica respeitando três elementos básicos: o revolvimento localizado do solo, a diversificação de espécies pela rotação de culturas e a cobertura permanente do solo.

 

As primeiras experiências em SPDH foram realizadas em 1998, na Estação Experimental da Epagri em Caçador. Atualmente o sistema é utilizado em mais de 3 mil hectares espalhados por todas as regiões do território catarinense. São mais de 1,2 mil agricultores que utilizam o plantio direto para produzir principalmente tomate, cebola, chuchu, brássicas (couve, repolho e brócolis), melancia e moranga.

 

A rápida disseminação e aceitação da tecnologia deve-se sobretudo aos bons resultados alcançados. O SPDH proporciona melhoria na qualidade e na uniformidade das plantas, com diminuição média de 35% nas perdas por questões de padrão de qualidade e produção.  Reduz, ou até pode zerar, o uso de insumos e, consequentemente, o custo das hortas.

Outra grande vantagem do SPDH é a sua sustentabilidade. O uso da palhada protege e enriquece a terra cultivada. As taxas de infiltração de água no solo cultivado em SPDH chegam a ser três vezes maiores que no sistema convencional, eliminando problemas com erosão e melhorando a disponibilidade de água para as plantas, o que leva, entre outros resultados, à redução média de 80% no uso de água para irrigação.

Quem também ganha com o SPDH são os consumidores. Os alimentos produzidos no sistema são mais limpos, pois podem ser cultivados com pouco ou até nenhum agrotóxico. Assim, também chegam ao consumidor com maior valor biológico, impactando positivamente na segurança alimentar das comunidades catarinenses.

“É uma proposta de transição para toda a agricultura familiar dependente de insumos externos à propriedade, para sistemas mais limpos, equilibrados e autônomos”, descreve Marcelo Zanella, extensionista da Epagri em Florianópolis e o responsável por submeter a tecnologia à avaliação da FAO. Ele explica que o SPDH tem a preocupação de construir um caminho de transição do modelo de agricultura convencional para uma que produza alimentos limpos de agroquímicos, dentro do enfoque pedagógico de inclusão social.

Depois da boa experiência com hortaliças, a Epagri veio expandido o uso do Sistema de Plantio Direto no Estado. Suas bases técnicas, fundamentos e perspectivas têm produzido e adaptado conhecimentos para a fruticultura e a produção de grãos, além do manejo com animais de forma integrada e sistêmica nas propriedades, proporcionando também a produção limpa de carne, leite e derivados. 

O material sobre o SPDH que já está disponível em português na plataforma da FAO/ONU será em breve traduzido para inglês e espanhol.

Para conhecer o SPDH na plataforma da FAO, clique: http://boaspraticas.org.br/index.php/pt/areas-tematicas/agricultura/689-spdh1

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