Água, símbolo de vida e de morte
16/03/2011

*Mauro Banderali

A chuva mansa que cai na manhã de sábado enquanto redijo este artigo me leva a reflexões inquietantes quanto aos rumos hídricos futuros. Certamente estamos todos estarrecidos com tantas catástrofes naturais que têm assolado o Brasil como as que ocorreram no Estado do Rio de Janeiro, as enchentes no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Maranhão etc., contrastando com a seca no sul do Rio Grande do Sul. Sem esquecer a tragédia que abateu o povo japonês com terremotos e tsunamis seguidos de incêndios.

A água, cujo simbolismo remete à vida, nestes casos significou destruição e morte. Mas há ainda outras situações em que a água silenciosamente também significa problemas, inclusive para a saúde humana, e pode até matar. É o caso das águas contaminadas por esgoto, por efluentes industriais, por produtos químicos na mineração e por agrotóxicos, entre outros. 

Diferentemente das catástrofes naturais, estas situações podem ser prevenidas e gerenciadas pelo homem. Políticas públicas, fiscalização e prevenção no agir podem impedir que represas, como Billings e Guarapiranga, na cidade de São Paulo (SP), sejam tomadas por algas e cianobactérias, por exemplo, comprometendo a qualidade da água para o abastecimento. 

A iniciativa de empresários pode impedir a contaminação de cursos d’água e do subsolo por efluentes industriais. Na agricultura, alternativas no manejo e uso racional de agrotóxicos no cultivo bem como a manutenção das zonas ripárias dos rios podem minimizar a contaminação das águas superficiais e subterrâneas – e do solo. A prevenção, o monitoramento e a remediação das contaminações dos recursos hídricos são responsabilidades da iniciativa privada e do poder público, podendo ser feitas com a aplicação de tecnologias. Equipamentos para limpeza dos contaminantes oriundos de postos de combustíveis, comprovadamente maior problema de contaminação das cidades, contribuem para um meio ambiente subterrâneo menos poluído, incluindo as águas. Outras tecnologias podem monitorar a proliferação de algas, a vazão dos rios e também de reservatórios, prevenindo acontecimentos prejudiciais à saúde das águas e, consequentemente, da população. 

Universidades e iniciativa privada pesquisam, desenvolvem e disponibilizam tais tecnologias. Mas falta ainda conhecimento e divulgação sobre as dezenas de possibilidades de prevenção, monitoramento e remediação para as águas superficiais e subterrâneas. Finalmente, diante do cenário já estabelecido  resta a nós – cidadãos, empresas e governos – trabalharmos para melhorar a qualidade da água já contaminada e prevenir para que não se contaminem principalmente os aquíferos, grandes reservas  para o futuro. O que ainda é necessário acontecer para mudar os rumos hídricos futuros?
 
Mauro Banderali é especialista em tecnologias ambientais da Ag Solve, empresa sediada em Indaiatuba (SP)

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